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terça-feira, 17 de maio de 2011

Concurso Literário - 2º Ciclo - Prosa - 1º prémio (ex aequo)



Páginas do meu Diário
 

                                                                                                        17 de Janeiro de 2011

           Querido Diário,
Hoje não foi um bom dia, tudo amanheceu cinzento e triste, imagina que nem tivemos aulas porque a escola estava fechada por razões de segurança.
De manhã, quando acordei, a minha mãe tinha preparado um pequeno-almoço digno de um príncipe, só depois percebi que ela estava a tentar compensar a situação. Mas posso dizer-te que, depois de saber o que se tinha passado, não houve nada que conseguisse compensar aquela tragédia. Assim, comi à pressa e saí a correr para ir procurar a minha amiga Tininha.
Fui encontrar a Tininha a chorar, ela olhava para o mar com uma tristeza tão grande que senti um aperto no coração. Cheguei perto dela e quis abraçá-la, precisava de tranquilizar a minha amiga e dizer-lhe que tudo iria correr bem, mas tudo o que consegui fazer foi ficar junto dela e olhar com enorme desgosto o mar à minha frente. Nem sei quanto tempo ali estivemos.
De repente, uma brisa mais forte veio despertar em mim a vontade de fazer qualquer coisa. Olhei novamente para a Tininha, abracei-a e disse:
- Não te preocupes, vamos resolver este problema.
- Tens a certeza? – perguntou a Tininha.
- Claro que sim! – exclamei eu com entusiasmo. – Afinal já não é a primeira vez que temos um problema destes. Vamos acabar com toda esta poluição e os nossos amigos, colegas e familiares vão ajudar. Anda daí!
Naquele momento eu sabia que estava a ser bastante optimista, mas também não adiantava ficarmos ali parados à espera que “aqueles senhores”, acho que lhes chamam autoridades marítimas, ou qualquer coisa parecida, decidissem o que fazer. Lembras-te daquela vez quando encontrámos lixo junto à praia? Pois, meu querido diário, ainda não te disse que desta vez era muito pior, agora o lixo era tóxico e quando olhávamos para o mar, principalmente junto à praia, só conseguíamos avistar peixes mortos.
Fomos procurar os nossos colegas da escola e eu já tinha uma ideia, por isso, quando estávamos todos reunidos comecei a explicar tudo. Todos acharam que era um bom plano. Assim, à hora marcada encontrámo-nos junto à praia. Devias ter estado lá para ver, todos os nossos amigos levaram ajuda e éramos muitos! A esperança começou a aumentar.
O meu plano começou a ser posto em prática e com a ajuda de todos rapidamente se espalharam redes de pesca de dez em dez metros, depois foi só puxar até à praia. As redes funcionaram como arrastões e levaram todo o lixo lá dentro. Trabalhámos durante horas mas valeu a pena. Quando terminámos não havia quase nenhum lixo no mar. A operação tinha sido um sucesso.
Por isso, qual não foi o meu espanto quando olhei para a beira do mar e observei uma imensidão de lixo e peixes mortos. Afinal a operação não tinha sido um sucesso. Tudo o que tínhamos retirado do mar estava agora à beira da praia. Nem imaginas como fiquei, não sabia o que fazer …
De repente começámos a ouvir sirenes de barcos e ao mesmo tempo conseguíamos ver carros enormes e jipes a andar pela areia da praia. Como é óbvio estávamos cheios de medo e todos se esconderam e ficaram à espera do que iria acontecer. Foi então que percebemos que desta vez as tais autoridades marítimas tinham decidido agir com maior rapidez, porque o lixo era tóxico e temiam uma catástrofe ambiental.
Os senhores que saíram dos carros falavam com os que se encontravam nos barcos através de rádios e pareciam surpreendidos por o lixo já não estar no mar, mas pelo que conseguimos perceber ficaram contentes pois tinham o trabalho facilitado, por isso começaram a retirar todo o lixo do areal e a transportá-lo em contentores próprios para lixo tóxico, até usavam máscaras próprias por causa do perigo de contaminação.
Finalmente suspirei de alívio, o problema estava resolvido. É evidente que continuo preocupado com os problemas ambientais, principalmente com a poluição aquática que nos afecta tanto. Acho muito sinceramente que as pessoas deviam ter consciência da grande necessidade que existe de preservar o meio ambiente, pois este está directamente ligado à qualidade de vida de todos nós.
Querido diário, por hoje termino a minha aventura e agradeço por ter acabado tudo bem, mas antes quero dizer-te que eu e a Tininha tivemos uma ideia e vamos propor à nossa professora que nos dê umas aulas de Educação Ambiental. O que achas? Nós achamos uma boa ideia!
Sabes que esta ideia surgiu porque a Tininha continua preocupada com estas catástrofes ambientais, pois, como tu já sabes, ela perdeu alguns familiares quando um navio petrolífero encalhou e espalhou petróleo, contaminando o nosso Oceano. Foi horrível, porque as aves aquáticas quando são contaminadas com petróleo morrem afogadas, as suas penas ficam oleosas e elas não conseguem voar, por isso, sendo a Tininha a minha melhor Amiga e uma linda Gaivota, também eu fico preocupado, pois não quero perdê-la. Realmente nós temos uma linda amizade!
Agora sim, termino como sempre,

                                                                                        Abraços do Tó,
                                                                                O teu Cavalo-marinho 
 

      Catarina, 5º6

2 comentários:

Fernanda Ribeiro disse...

Parabéns Catarina!
O teu texto está muito bem escrito e é muito bonito.
Fez-me lembrar a "HISTÓRIA DE UMA GAIVOTA E DO GATO QUE A ENSINOU A VOAR ", de Luís Sepúlveda. É uma leitura a não perder.
Beijinhos

Anónimo disse...

Parabéns Catarina têm um texto muito lindo.
Beijinhos!