Já aqui divulgámos os resultados do Concurso Literário promovido pelo Clube de Escrita Criativa, chegou o momento de vos dar a ler os textos vencedores. Queremos também deixar uma palavra de agradecimento às professoras Fernanda Ribeiro e Irene Crespo e às alunas do nono ano, Bárbara e Iara, por se terem disponibilizado para fazer parte do júri do concurso.
Vou-vos contar uma história de quando eu a minha amiga Margarida éramos crianças. Nós, nas tardes de Outono, quando tudo estava calmo e apenas se ouvia o barulho das folhas secas a cair das árvores, gostávamos de ir dar um passeio pela floresta.

Naquela tarde, como acontecia em tantas outras, decidimos encontrar-nos numa das clareiras da floresta, aquela clareira era a nossa preferida porque ali tudo parecia ser mágico. Tudo nos parecia normal até aqui, mas aquela tarde iria ser uma tarde especial. Não deixo nunca de me lembrar como a floresta era bonita naquela altura: as árvores, castanhas, vermelhas e cor-de-laranja no Outono, cor-de-rosa na Primavera e de uma cor tão viva no Verão, eram alegres, pareciam ter vida e nessa vida imaginária estavam contentes e com gosto em decorar aquela floresta. Depois as flores: tulipas, rosas, estrelícias, malmequeres, cravos, begónias e margaridas, como o nome da minha amiga. Por fim, os animais: esquilos, coelhos, gatos selvagens, veados, por vezes lobos, que só apareciam de noite, borboletas, abelhas, tantos, tantos que ocupavam aquela floresta e a tornavam especial e bonita. Quando nasciam novas crias, ficava bem disposta e com energia para resistir aos incêndios que por ali aparecessem. Até ervas aromáticas cresciam ali: alecrim, rosmaninho, louro, orégãos e alfazema. Todos estes cheiros misturados com o cheiro das árvores, das flores e da alegria formam o cheiro da floresta, aquele cheiro agradável, calmo e que parece querer-nos dizer: “Descansa, respira fundo e sente o cheiro da alegria”, aquele cheiro que enche as pessoas de felicidade, energia e uma vaga de “ajuda ao ambiente”.
Já viram como a floresta tem tantas coisas para conhecer! São essas coisas que eu e a minha amiga iríamos em breve descobrir.
No início da nossa caminhada, tudo estava calmo, até que ouvimos um misterioso barulho. O som despertou-nos uma certa curiosidade, pois nunca o tínhamos ouvido antes. Então ficámos à escuta e cheias de expectativa, pois sabíamos que a Natureza tinha muitos segredos; as duas de mãos dadas, pois mesmo assim tínhamos sempre receio de que um lobo se tivesse aventurado a entrar na floresta de dia, começámos a afastar os ramos, as plantas, muita vegetação até que... até que vimos um ramo, como explicar, um ramo especial...
Antes de o afastar, como já tínhamos feito muitas vezes com outros ramos, trocámos um olhar rápido, um olhar de excitação. Mas a curiosidade venceu o medo e quando aquele ramo permitiu que víssemos o que estava do lado de lá, observámos um espectáculo inimaginável... Havia uma montanha alta, imponente, cheia de neve, alguns eucaliptos e ervas rasteiras. Uma pequena nascente descia devagar, sem pressa, mas com uma expressão muito viva. Lá em baixo formava-se um lago de cor azul claro e de água cristalina e fresca.
Os nossos olhos brilhavam e não hesitámos. Gritámos “Vamos ver, vamos ver!”. Avançámos e pelo caminho encontrámos muitas surpresas: esquilos, muitas borboletas, uma raposa, que como é costume em raposas era muito matreira. Nós olhámo-la com um ar amigável, ela aproximou-se, cheirou-nos e mal viu que não tínhamos comida foi-se embora e desapareceu por entre as árvores.


Descemos o vale e aproximámo-nos do lago. Realmente, como a Natureza é a coisa mais bonita que existe! Tem tudo o que há de mais lindo: cores; as cores são para mim a coisa mais bonita; vida; a Natureza tem muita vida; animais, plantas. No fundo a vida é a base da Natureza. Naquele lago estavam reflectidas todas estas coisas. As nossas cabeças começaram logo a formar muitas ideias, tal como um lago mágico, ou será que naquele lago haveria um mundo onde a natureza reinasse?
De repente ouvimos uma voz, não era uma voz humana mas sim uma voz de animal. A voz dizia-nos: “Não se aproximem muito desse lago e sobretudo não lhe toquem!”
- Mas porquê?! - exclamámos nós, que já estávamos assustadas.
- Este lago é o bem mais precioso que existe, nele vive a Natureza.
- A Natureza ? Mas a Natureza existe realmente ?
Outra voz se fez ouvir, uma voz muito doce, vinda de dentro do lago.
- Sim, a Natureza sou eu! - a voz parecia triste.
- Pareces triste!
- Sim, é verdade, estou triste porque ninguém pensa em mim. Estou triste porque a cada árvore que cortam, a cada animal que morre, eu sinto uma dor terrível no coração.
- Oh! - nós tivemos muita pena, porque ninguém merece ser tratado assim.
- Esta montanha também me pertence, esta é a minha casa.
- É a paisagem mais bonita que já vimos.
- Pois é, esta paisagem é a base de todas as outras, se alguém a destruir eu morro e tudo deixará de existir. Só vocês me poderão ajudar, sinto que são boas pessoas.
- Claro, mas como?
- Não deixem que este segredo se espalhe e voltem aqui o mais rápido que conseguirem, terão outra missão.
- Sim, prometemos não contar nada a ninguém e em breve voltaremos. Mas agora temos que partir.
- Adeus e até à próxima!
Foi assim que partimos e estávamos muito felizes pois tínhamos visto tudo aquilo que havia de mais bonito para ver e sobretudo porque tínhamos visto a Natureza.
Devem-se estar a perguntar “mas então como foi o segundo encontro?”. Agora vou-vos contar que a partir daquele dia nunca mais a vimos, mas não vamos desistir. Mesmo não sabendo onde está a Natureza vamos sempre, sempre ajudá-la.
Bárbara, 5º6
Bárbara, 5º6
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